29 de jan. de 2013

Ego e Entrega


"A primeira coisa a lembrar sobre a entrega é: você não pode fazê-la; a entrega não é um fazer. Você pode evitar o seu acontecimento, mas você não pode fazer com que ela ocorra. Ela está além do alcance de nosso fazer. O poder que temos sobre a entrega é apenas negativo: temos o poder de impedi-la, mas não temos o poder de fazer com que ela aconteça.Entregar-se não é algo que você possa fazer. Se você puder, não se trata de entrega, porque o fazedor está presente. A entrega/rendição é um grande entendimento de que “eu não sou”. A rendição é uma visão (insight) de que o ego não existe, de que “eu não estou separado”. A entrega não é um ato, mas uma compreensão.

Em primeiro lugar você é falso, a separação é falsa. Nem por um único momento você pode existir separado do universo. A árvore não pode existir se estiver desenraizada/desligada da terra. A terra não pode existir se o sol desaparecer amanhã. A árvore não pode existir se água não estiver chegando às suas raízes. A árvore não pode existir se não puder respirar. A árvore está enraizada em todos os cinco elementos – aquilo que os budistas denominam Skandhas. Avalokita... quando Buda chegou à visão transcendental, depois de ter passado por todos os estágios e ter ido além do mundo – de lá ele olhou para trás – o que ele viu? Ele viu apenas cinco agregados (acúmulos, combinações) com nada de substancial neles, apenas o vazio, shunyata. A árvore não poderia existir sem que esses cinco elementos estivessem constantemente vertendo energia para ela. A árvore é apenas uma combinação desses cinco elementos. Se árvore começar a pensar “eu sou”, então haverá miséria para ela. E ela criaria um inferno para si mesma. Mas as árvores não são assim tão tolas, elas não carregam qualquer mente. 

Elas estão lá, e se amanhã elas desaparecerem, então simplesmente desapareceram. Elas simplesmente não se apegam, porque não existe um “alguém” para apegar-se. 
A árvore está constantemente entregue à existência. Por “entrega” quero dizer que ela nunca está separada, que nunca ocorreu a ela essa ideia estúpida de ego. E assim são os pássaros, as montanhas, as estrelas. Foi somente o homem que transformou a sua grande oportunidade de estar consciente para um estado de consciência-de-si-mesmo. Ser simplesmente consciente, ao invés de consciente de si mesmo – é disto que estou falando. O ser humano é dotado de consciência. Se a consciência floresce e se expande, ela pode trazer-lhe a maior felicidade possível. Mas se alguma coisa der errado e a consciência azedar, convertendo-se em consciência-de-si-mesmo, então um inferno é criado, a miséria é criada. Ambas as alternativas estão sempre abertas; cabe a você escolher.

A primeira coisa a ser entendida sobre o ego é que ele não existe. Ninguém existe na separação. Você é tão UM com o universo como eu sou, como Buda é, como Jesus é. Eu sei disso, você não sabe disso ainda. A diferença é apenas de reconhecimento. A diferença não é existencial, absolutamente não é! Assim, o que você tem de fazer é olhar e investigar essa ideia estúpida de separação. 

Agora, perceba que ao tentar se entregar você ainda está carregando a ideia de separação. Você está pensando “eu vou me entregar, agora eu vou me render”. Na entrega não existe nenhum “eu” – mas você pensa que existe. Isso arruinará todos os seus esforços.Explorando e investigando detalhadamente a ideia de separação, um dia você descobre que não está separado; assim, como você pode se entregar? Não há ninguém para se render! Nunca houve! Aquele que realiza a entrega simplesmente não existe, não está em lugar nenhum. Se você for para dentro de si mesmo, não encontrará em parte alguma um “eu” que possa se render. 

Esse é o momento em que afinal ocorre a rendição. Quando o “eu” que realiza a entrega não é encontrado (porque chegou-se à compreensão de que ele não existe), esse é o momento em que ocorre a entrega. Você não pode fazer. Se puder fazê-lo, trata-se de uma coisa falsa. E da falsidade decorre somente mais falsidade. Ao carregar a ideia “eu existo, eu sou” você é falso; por isso qualquer coisa que vier a fazer também será falsa. E uma falsidade leva à outra, que por sua vez conduz à outra, e assim por diante. Dentre todas a falsidade mais fundamental é o ego, a ideia “eu estou separado”.

Você diz: “eu me entrego para poder alcançar o meu objetivo.” O ego está sempre orientado para um objetivo. É sempre ganancioso, está sempre se agarrando a algo. Ele está sempre em busca de mais e mais e mais; é essa ideia de “mais” que sustenta a vida do ego. Se você tem dinheiro, ele almejará ter mais dinheiro; se você tiver uma casa, ele desejará ter uma casa maior; se você tem uma mulher, o ego desejará uma mulher ainda mais bela. O ego sempre quererá mais. 


Ele tem uma fome incessante. O ego vive no futuro e no passado. Quando o ego está vivendo no passado, ele vive como um colecionador – “eu tenho isto, mais isto e aquilo outro”. Ele sente uma grande satisfação. “Eu tenho isto” – poder, prestígio, dinheiro. Essas coisas conferem um tipo de realidade a ele. Elas dão a ele a noção de que “se eu possuo estas coisas, então eu devo estar ali”; devido a tais coisas o ego consegue dizer “eu existo”. E quando o ego está vivendo no futuro, ele o faz através da ideia de “mais, mais e mais”. Assim, ele vive da memória e também do desejo.

O que é um objetivo? É um desejo: “eu tenho que chegar lá, tenho que ser aquilo, tenho que alcançar.” O ego não consegue viver no presente, porque o presente é real e o ego é irreal – eles nunca se encontram. O passado é irreal, simplesmente não existe mais. O passado já foi real, mas enquanto ele estava presente o ego não estava lá. Tão logo tenha desaparecido, ele perde a qualidade de ser existencial, e o ego imediatamente passa a colecionar e a acumulá-lo. O ego agarra e acumula coisas mortas. O ego é um cemitério: recolhe cadáveres e ossos mortos.

Ou ego também vive no futuro. Mais uma vez, o futuro também é não existencial; o futuro ainda não é – é apenas imaginação, fantasia, sonho. O ego também pode viver através disso muito facilmente. Uma falsidade harmoniza-se muito bem com outra falsidade; todas as falsidades combinam perfeitamente. Traga qualquer coisa existencial e o ego logo desaparece. 

Por isso a insistência para que você esteja no presente, no aqui e no agora. Apenas este momento... Se você for inteligente, poderá dispensar todo e qualquer pensamento acerca do que agora estou falando, perceberá que aquilo sobre o qual estou discorrendo não é para ser pensado ou analisado, mas simplesmente visto com intensidade e totalidade neste exato momento. Uma visão intensa, alerta, penetrante, focada, direta, imediata, abrangente, total... e onde está o ego? Há apenas um grande silêncio, nenhum passado existe, nenhum futuro existe, apenas este momento está aqui. Então este momento “é” e você “não é”. 

Permita (autorize) que este momento seja e você não seja. Sentirá um silêncio imenso, um silêncio profundo, dentro e fora. E então não haverá nenhuma necessidade de se entregar, pois você se alinhou com a verdade de que na realidade você não existe, você não é – apenas o momento presente é. Essa compreensão em si realiza a entrega. Entregar-se significa compreender verdadeiramente que você “não é”.

Não é uma questão de que você tenha de entregar-se a mim, ou de que você tenha que entregar-se a Deus. Não é sequer uma questão de que você tenha de entregar-se, absolutamente. A entrega é um insight, uma compreensão de que “eu não sou”. Percebendo que “eu não sou, eu sou um nada, eu sou um vazio”, a entrega aumenta cada vez mais. A flor da entrega cresce na árvore da vacuidade. Ela jamais pode estar orientada para o cumprimento de um objetivo. Na natureza do ego é estar orientado para um objetivo. Ele anseia pelo futuro. Ele pode ansiar até mesmo pela outra vida, pode ansiar pelo céu, pelo nirvana. Não importa aquilo pelo qual o ego anseia – ansiedade é sempre ansiedade, desejo é sempre desejo, tudo isso está sendo projetado no futuro.

Perceba isso! Perceba de uma só vez a totalidade do mecanismo da mente. Eu não estou dizendo “pense sobre isto”. Se você pensar, terá errado o alvo. Novamente, o pensar tem a ver com o passado e futuro. Olhe atentamente para isso, e perceba! Faça isso, e faça agora! Não diga a si mesmo: “ok, farei depois que chegar em casa”. Se você adiar, o ego apareceu, o objetivo surgiu, o futuro entrou. Todas as vezes que você envolver o tempo, estará caindo na armadilha da separação.

Permita que o momento esteja aqui, apenas este momento. E então você percebe o que você é – você está aqui, você não vai a lugar algum, e você não está vindo de lugar nenhum. Você sempre esteve aqui. Aqui é o único momento, o único espaço. Agora é a única existência. É neste Agora que existe a rendição."

Osho em The Heart Sutra

12 de dez. de 2012

Ponto de vista


Critico?



Pregunta: Nos vivemos uma época bem sombria – que por isso mesmo tem seu lado luminoso – mas é sombria no plano político e social. Voce acredita que temos muitas esperanças de superarmos esta crise de fim de século e milênio?

Eu espero que não porque finalmente o que é sombrio é a pretensa busca espiritual. O que é sombrio é haver professores de yoga em cada esquina. O que é sombrio é o chaneling. O que é sombrio é a busca espiritual moderna, esta espécie de fuga do instante. Por outro lado, aquilo que é auspicioso é a guerra que se aproxima, são os cataclismas que vem, por que eles põem profundamente em questão o ser humano, lhe fazem se colocar questões verdadeiras. Todo o resto os faz dormir.
Entao precisa ficar bem claro que o estado do mundo é a sua sorte. Si os deuses fazem o mundo se beneficiar desses movimentos, é o presente supremo. Infelizmente tem épocas nas quais o cataclisma é a única maneira de trazer um questionamento. Na sua generosidade, os deuses querem, eu acho, nos ajudar mais e mais nesse sentido. Todo esse romantismo do yoga, do oriente, da espiritualidade, todas essas técnicas espirituais de progressão, purificação, levam verdadeiramente a idade da sombra. Elas são realmente uma perda de dinheiro, de energia. Um dia elas vão desaparecer completamente e nesse momento talvez precisaremos de menos cataclismas para nos despertarmos.

Pergunta: Com suas afirmações você pode provocar escândalo....

O que é escandaloso é de fazer as pessoas acreditarem que através de exercícios eles vão se sentir melhor e que seus questionamentos se acalmarão. É de fazer acreditar que seguindo tal terapia, adotando tal conceito, tal roupa de tal cor, que colocando na parede ou no seu pescoço uma imagem do guru da moda, isto vai trazer um questionamento profundo. Isto é a charlatanice.
A verdadeira vida é encarar o instante. As diferentes possibilidades de conflito se expressam no mundo, você as encara, você olha no que te toca, você olha o que é a morte, a destruição. Assim percebemos onde estamos. Quando sua casa é destruída, quando seu corpo se quebra, quando sua família é eliminada, voce percebe a que ponto voce esta livre ou não de você mesmo. Mas se sentar num quarto para fazer yoga, mastigando 100 vezes um punhado de arroz integral....evidentemente, nos comportamos muito bem, mas não há nenhum questionamento. É uma verdadeira calamidade.

4 de dez. de 2012

Dependência de Aprovação


Responsabilidade


ADQUIRIR RESPONSABILIDADE O TORNARÁ LIVRE
P - Ontem, quando vinha de meu escritório para a sua palestra, estava me sentindo muito deprimido, cansado e tenso; mas, após a palestra, me senti muito relaxado, energizado e renovado. Na, manhã seguinte, estou deprimido e tenso outra vez. Isso se deve à minha mente ou à atmosfera ao redor?

R - É devido à sua mente. A atmosfera ao redor é sempre fortalecedora. Se sua mente estiver em silêncio, a mesma atmosfera fortalecerá seu silêncio; se sua mente estiver tensa, a mesma atmosfera fortalecerá suas tensões. A atmosfera ao redor não conta; o que conta é sua mente. De outro modo, seria impossível alguém se tornar iluminado, porque todos estão cercados pelo mesmo tipo de atmosfera.
Eu me lembro de uma pequena história, uma história antiga de um rei sábio que costumava passear na capital no meio da noite com um disfarce para ver se as coisas estavam correndo da maneira como deveriam. Ele sempre ficava perplexo com um homem nu que costumava ficar embaixo de uma árvore, mesmo no meio da noite. Ele saiu várias noites, e o homem estava sempre lá, alerta. O rei ficou intrigado: o que ele estava fazendo? Um dia foi até lá e perguntou: "Qual é o seu problema? Por que você fica aqui, nu, nesta noite fria?"
O homem disse: "Tenho um certo tesouro que necessita de constante vigilância. Não posso ficar inconsciente nem mesmo por um único momento; é muito arriscado". O rei perguntou: "Onde está o seu tesouro?" O homem riu e disse: "Você não vai entender. Meu tesouro está dentro de mim. E, quanto mais consciente estou, de dia ou de noite, mais profundamente vou alcançando a mim mesmo".
Foi a primeira vez que o rei viu o homem tão de perto — um belo homem com olhos magnéticos, com uma aura invisível. O rei ficou comovido. Ele disse: "Sempre pensei em encontrar um mestre, mas nunca encontrei um. Não posso deixá-lo. Eu o convido a vir comigo ao meu palácio. Você terá tudo de que necessita. Por que permanecer aí parado? Isso não fica bem para o mestre do rei. A partir deste momento, você é o mestre do rei".
"É claro!", disse o homem e, a seguir, montou no cavalo do rei e pediu a ele que caminhasse a seu lado: "Vamos ao palácio".
O rei disse: "Este homem é estranho!" Nu, ele montava o cavalo enquanto o rei tinha de caminhar pela primeira vez em sua vida... "O que vão dizer os guardas do palácio quando nos virem?" Mas o homem disse: "Não fique preocupado com os guardas, com sua esposa ou seus filhos; ninguém poderá interferir. Vou me apresentar; eu sou seu mestre".
O rei começou a ter dúvidas: "Este homem, que eu pensei que tinha renunciado ao mundo, em pé, nu por tantos dias... e ele disse sim tão desejosamente. Não apenas disse sim como imediatamente pulou no meu cavalo!" No palácio deram-lhe o melhor quarto, as melhores comodidades, melhores que as do rei. Ele fazia questão: "Sou o mestre do rei, e será um insulto ao rei que o mestre tenha menos que ele". O rei lhe deu tudo o que era necessário e o jovem viveu em imenso luxo.
O rei pensou: "Fui enganado. Esse homem não é um verdadeiro santo, ele é um enganador. Ele estava lá de pé, nu, apenas para me enganar, e me enganou. Mas e agora, como me livrar dele?" Seis meses se passaram. Mas o rei era um homem culto; não podia dizer: "Você me enganou". Um dia, enquanto andava pelo gramado do palácio, o rei comentou: "É estranho, mas às vezes tenho uma dúvida. Você estava lá, nu, debaixo da árvore... Você renunciou a tudo do mundo e agora está vivendo no luxo. A pergunta que surge em minha mente é esta: agora, qual é a diferença entre mim e você?"
O homem disse: "A diferença? Você terá de vir comigo. No momento exato, no local exato, eu lhe darei a resposta".
Ambos foram, cada um em seu cavalo. Quando chegaram aos limites do reino, o rei disse: "Este é o limite. Agora você está entrando no reino de outro rei, e isso não é correto. Qual é a sua resposta?" Ele disse: "Minha resposta é esta: este cavalo é seu, estas roupas são suas. Leve-as para casa, eu estou indo. Esta é a diferença: você tem um reino, eu não tenho um reino. Onde quer que eu viva, lá será meu reino".
O rei estava chocado, mas pensou que havia julgado mal o homem. Ele caiu a seus pés e disse: "Perdoe-me, eu o julguei mal".
O homem disse: "Simplesmente monte em seu cavalo e volte para o palácio, porque eu sou um homem muito simples.. . Posso colocar a roupa, o cavalo estará esperando e posso voltar — e a dúvida voltará à sua mente. Não quero criar nenhuma dúvida. Simplesmente pegue ambos os cavalos e essas roupas. Nu eu estava, nu eu estou — e existem tantas árvores, posso ficar em qualquer lugar".
O rei tentou convencê-lo, mas o homem disse: "Eu posso ir, não há problema; mas conheço a sua mente, e não é... Você está mentindo. Não é que a dúvida tenha surgido apenas agora, ela surgiu no exato momento em que montei em seu cavalo naquela noite, seis meses atrás. Para mim não faz nenhuma diferença: fui tão silencioso e pacífico, tão centrado, tão equilibrado embaixo da árvore como em seu palácio. A atmosfera, o meio ambiente à minha volta não fazem nenhuma diferença, absolutamente. Onde quer que eu esteja, lá é meu reino".
Não é a atmosfera. É dessa maneira que vamos jogando nossa responsabilidade nos outros; e isso não está correto, não é correto para um buscador. Um buscador deve ter claro que "toda responsabilidade é minha". Você ficará surpreso em saber: no momento em que toma todas as responsabilidades sobre seus ombros, você é o homem mais livre do mundo, porque agora, onde quer que esteja, isso não faz a mínima diferença — sua liberdade está intacta, sua paz está intacta, sua integridade está intacta.
Texto extraído do livro: Dinheiro, Trabalho e Espiritualidade - OSHO

A nike se superou


25 de set. de 2012

Quando temos muitas coisas para guardar nele, o dia tem 100 bolsos


Dizem que Christopher Wren, arquiteto encarregado da construção da Catedral de Londres, decidiu passear incógnito pelo canteiro de obrar para ver como os pedreiros trabalhavam.
Wren ficou pensativo enquanto observava três operários. Um trabalhava muito mal; outro, de forma correta; o terceiro, por sua vez, realizava seu trabalho com muito mais forca e dedicação que os demais. Sem se conter, o arquiteto aproximou-se do primeiro e perguntou:
- Boa tarde. O que o senhor faz?
- Eu? – disse o pedreiro. – Trabalho de sol a sol, num serviço muito cansativo. Não vejo a hora de terminar.
Depois foi ate o segundo operário e fez a mesma pergunta:
- Boa tarde. O que o senhor faz?
- Estou aqui para ganhar dinheiro a fim de sustentar minha mulher e meus quatro filhos.
Finalmente, Wren se dirigiu ao terceiro trabalhador:
- Boa tarde. O que o senhor faz?
O pedreiro levantou a cabeça e, com um olhar cheio de orgulho, respondeu:
- Estou construindo a Catedral de Londres, cavalheiro.


20 de set. de 2012

O Poder do Silêncio


“Sempre que houver silêncio à sua volta, ouça-o. Isso significa apenas percebê-lo. Ouvir o silêncio desperta a dimensão de calma que já existe dentro de você, porque é só através da calma que se pode perceber o silêncio. Nesses momentos você se liberta de milhares de anos de condicionamento humano coletivo.”
“Qualquer barulho perturbador pode ser tão útil quanto o silêncio. Basta abolir sua resistência interior ao barulho, deixando-o ser como é. Essa aceitação também leva você ao reino da paz interior que é a calma.”
“A calma é o lugar onde a criatividade e a solução dos problemas são encontrados”
“A calma e o silêncio são a própria inteligência. A consciência básica da qual provêm todas as formas de vida. A forma de vida que você pensa que é, vem dessa consciência e é sustentada por ela”.
“Quando você olha num estado de calma para uma árvore ou uma pessoa, quem está olhando? É algo mais profundo do que você. A consciência está olhando para a sua própria criaçao. A Bíblia diz que Deus criou o mundo e viu que era bom. É isso que você vê quando olha num estado de calma, sem pensar em nada.”
“Você precisa saber mais coisas do que já sabe? Você acha que o mundo será salvo se tiver mais informações, se os computadores se tornarem mais rápidos ou se forem feitas mais análises intelectuais e científicas? O que a humanidade precisa hoje é de mais sabedoria pra viver. A sabedoria vem da capacidade de manter a calma e o silêncio interior. Veja e ouça apenas. Não é preciso mais nada além disso. Manter a calma, olhando e ouvindo, ativa a inteligência real que existe dentro de você. Deixe que a calma interior oriente suas palavras e ações.”
“A maioria das pessoas passa a vida toda aprisionada nos limites os próprios pensamentos. Nunca vai além das idéias estreitas já fabricadas. Nunca vai além do “eu” condicionado pelo passado.”
“Se você consegue reconhecer, mesmo espora- dicamente, que os pensamentos que passam por sua cabeça são meros pensamentos; Se você consegue se dar conta dos padrões que se repetem em suas ações mentais e emocionais, é sinal de que a Consciência está emergindo. Ela é o espaço onde o conteúdo da sua vida se desborda.”
“Cada pensamento quer sugar sua completa atenção. Eis um novo exercício para praticar: Não leve seus pensamentos muito a sério.”

7 de set. de 2012

30 de ago. de 2012

Precisamos amar a nós mesmos para sermos capazes de nos tolerar e não levar uma vida errante

Aqui estão cinco passos para aumentar a autoestima:

1. Viva para si mesmo, não para o mundo. As pessoas que não sabem amar a si mesmas buscam constantemente a aprovação alheia e sofrem quando são rejeitadas. Para quebrar essa dinâmica, devemos admitir que não podemos admitir que não podemos satisfazer a todos.
2. Fuja das comparações. Elas são uma importante causa de infelicidade. Muita gente tem qualidades e atributos que você não tem, mas você também possui virtudes que não estão presentes nos outros. Pare de olhar para os lados e trabalhe na construção de seu próprio destino.
3. Não busque a perfeição. Nem nos outros e nem em si mesmo, já que a perfeição não existe. O que existe é uma grande margem para melhorar.
4. Perdoe seus erros. Especialmente os do passado, pois já não podem ser contornados nem têm qualquer utilidade. Aprenda com eles, para não repeti-los.
5. Pare de analisar. Em vez de ficar pensando no que deu errado, é muito melhor agir, por que isso permite aperfeiçoar suas qualidades. Movimentar-se é sinal de vida e de evolução.

Nietzsche



26 de ago. de 2012

29 de ago. de 2011

Desengraxando o corpo

Kriya significa ação

Apresenta não só a possibilidade de limpeza e descondicionamento, mas também de fortalecimento. Quando compara o corpo humano a uma vasilha de barro que deve purificar-se e fortalecer-se no fogo do Yoga.

É necessário ser saudável, mas a saúde não deve ser o objetivo máximo na vida.
De que vale a longevidade sem a sabedoria.

Jala Neti (limpeza das narinas com agua)
Sutra Neti (massagem nas narinas com um frio que entra pela narina e sai pela boca)
Kapalabhati (respiração)
Trataka (olhar na vela ou no ponto)
Nauli (massagem nos orgãos do abdomem e ventre)
Vamana Dhauti (limpeza do estômago)
Vastra Dhauti (massagem com um pano de 7m que entra pela boca)
Basti (lempeza do Intestino)
Shank Prakshalana (limpeza do intestino)

Todas as tecnicas são uma agressão ao corpo, e devem ser feitas com cuidado e consciencia.

5 de ago. de 2011

17 de jul. de 2011

Água com estômago vazio

Quanto mais se sabe, maiores hipóteses de sobrevivência...
Um cardiologista diz que se todos que receberem esta mensagem, a enviarem a pelo menos uma das pessoas que conhecem, pode ter a certeza de que, pelo menos, poderá salvar uma vida.
Beba água com estômago vazio.
Hoje é muito popular, no Japão, beber água imediatamente ao acordar. Além disso, a evidência científica tem demonstrado estes valores. Abaixo divulgamos uma descrição da utilização da água para os nossos leitores.
Para doenças antigas e modernas, este tratamento com água tem sido muito bem sucedido....
Para a sociedade médica japonesa, uma cura de até 100% para as seguintes doenças:
Dores de cabeça, dores no corpo, problemas cardíacos, artrite, taquicardia, epilepsia, excesso de gordura, bronquite, asma, tuberculose, meningite, problemas do aparelho urinário e doenças renais, vômitos, gastrite, diarreia, diabetes, hemorroidas, todas as doenças oculares, obstipação, útero, câncer e distúrbios menstruais, doenças de ouvido, nariz e garganta.
Método de tratamento:
1. De manhã e antes de escovar os dentes, beber 2 copos de água.
2. Escovar os dentes, mas não comer ou beber nada durante 15 minutos.
3. Após 15 minutos, você pode comer e beber normalmente.
4. Depois do lanche, almoço e jantar não se deve comer ou beber nada durante 2 horas.
5. Pessoas idosas ou doentes que não podem beber 2 copos de água, no início podem começar por tomar um copo de água e aumentar gradualmente.
6. O método de tratamento cura os doentes e permite aos outros desfrutar de uma vida mais saudável.
A lista que se segue apresenta o número de dias de tratamento que requer a cura das principais doenças:
1. Pressão Alta - 30 dias
2. Gastrite - 10 dias
3. Diabetes - 30 dias
4. Obstipação - 10 dias
5. Câncer - 180 dias
6. Tuberculose - 90 dias
7. Os doentes com artrite devem continuar o tratamento por apenas 3 dias na primeira semana e, desde a segunda semana, diariamente.
 Este método de tratamento não tem efeitos secundários. No entanto, no início do tratamento terá de urinar frequentemente.
É melhor continuarmos o tratamento mesmo depois da cura, porque este procedimento funciona como uma rotina nas nossas vidas. Beber água é saudável e dá energia.
Isto faz sentido: o chinês e o japonês bebem líquido quente com as refeições, e não água fria.
Talvez tenha chegado o momento de mudar seus hábitos de água fria para água quente, enquanto se come. Nada a perder, tudo a ganhar!
 Para quem gosta de beber água fria.
 Beber um copo de água fria ou uma bebida fria após a refeição solidifica o alimento gorduroso que você acabou de comer. Isso retarda a digestão.
Uma vez que essa 'mistura' reage com o ácido digestivo, ela reparte-se e é absorvida mais rapidamente do que o alimento sólido para o trato gastrointestinal. Isto retarda a digestão, fazendo acumular gordura em nosso organismo e danifica o intestino.
É melhor tomar água morna, ou se tiver dificuldade, pelo menos água natural.
Nota muito grave - perigoso para o coração:
As mulheres devem saber que nem todos os sintomas de ataques cardíacos vão ser uma dor no braço esquerdo.
Esteja atento para uma intensa dor na linha da mandíbula. Você pode nunca ter primeiro uma dor no peito durante um ataque cardíaco.
Náuseas e suores intensos são sintomas muito comuns.
60% das pessoas têm ataques cardíacos enquanto dormem e não conseguem despertar. Uma dor no maxilar pode despertar de um sono profundo...
Sejamos cuidadosos e vigilantes.

15 de mai. de 2011

Jala Neti



Jala neti é um processo de purificação das narinas, e também um processo de limpeza sutil que vai além da limpeza do corpo físico.
Esta dentro da linha do Kryia Yoga.
Saiba mais >>>

6 de mai. de 2011

COMPAIXÃO

Disseram a Osho:
Uma vez ouvi você dizer “Só a compaixão é terapêutica”. Por favor, fale sobre a compaixão.

Sim, só a compaixão é terapêutica – porque tudo que é ruim no homem é devido à falta de amor. Tudo que é errado no homem está em algum lugar associado com o amor. Ele não tem sido capaz de amar, ou não tem sido capaz de receber amor. Ele não tem sido capaz de compartilhar seu ser. Essa é a miséria. Isso cria todo tipo de complexos por dentro.

Esses ferimentos íntimos podem vir à tona de muitas maneiras: podem se tornar doenças físicas, podem se tornar doenças mentais – mas profundamente o homem sofre de falta de amor. Assim como a comida é necessária para o corpo, amor é necessário para a alma. O corpo não pode sobreviver sem comida, e a alma não pode sobreviver sem amor. Na verdade, sem amor a alma sequer nasceu – não existe a questão de sua sobrevivência.

Você simplesmente pensa que tem uma alma; você acredita que tem uma alma devido ao seu medo da morte. Porém, você não sabe a não ser que você tenha amado. Só no amor a pessoa vem a sentir que é mais do que o corpo, mais do que a mente.

É por isso que digo que a compaixão é terapêutica. Que é compaixão? Compaixão é a forma mais pura de amor. Sexo é a forma mais baixa do amor, compaixão é a forma mais elevada do amor. No sexo, o contato é basicamente físico; na compaixão o contato é basicamente espiritual. No amor, compaixão e sexo estão misturados, o físico e o espiritual estão misturados. Amor é o meio caminho entre sexo e compaixão.

Você também pode chamar a compaixão de oração. Você também pode chamar a compaixão de meditação. A mais alta forma de energia é compaixão. A palavra compaixão é bela: metade dela é paixão - de algum modo paixão tornou-se tão refinada que não é mais como uma paixão. Ela tornou-se compaixão.

No sexo, você usa o outro, você reduz o outro a um meio, você reduz o outro a uma coisa. Eis porque num relacionamento sexual você se sente culpado. Essa culpa não tem nada a ver com ensinamentos religiosos; essa culpa é mais profunda do que os ensinamentos religiosos. Num relacionamento sexual como tal você se sente culpado. Sente-se culpado porque você está reduzindo um ser humano a uma coisa, a um produto a ser usado e jogado fora.

É por isso que no sexo você também sente uma espécie de servidão; você também está sendo reduzido a uma coisa. E quando você é uma coisa sua liberdade desaparece porque sua liberdade só existe quando você é uma pessoa. Quanto mais você for uma pessoa, mais livre você é, quanto mais uma coisa você for, menos livre você é.

A mobília do seu quarto não é livre. Se você deixar o quarto trancado e voltar após muitos anos, a mobília estará no mesmo lugar, da mesma maneira; ela não irá se arrumar de uma nova maneira. Ela não tem nenhuma liberdade. Contudo se você deixar um homem no quarto, você não irá encontrá-lo do mesmo jeito – nem mesmo no outro dia, nem mesmo no próximo momento. Você não pode encontrar o mesmo homem novamente.

O velho Heráclito diz: Você não pode pisar no mesmo rio duas vezes. Você não pode encontrar o mesmo homem novamente. É impossível encontrar o mesmo homem duas vezes, porque o homem é um rio, continuamente fluindo. Você nunca sabe o que vai acontecer. O futuro permanece aberto.

Para uma coisa, o futuro está fechado. Uma pedra permanecerá uma pedra. Ela não possui nenhuma potencialidade para crescer. Ela não pode mudar, não pode evoluir. Um homem nunca permanece o mesmo. Ele pode recuar, pode ir adiante, pode ir para o inferno ou para o céu, ele, porém, nunca permanece o mesmo. Continua se movendo, desse ou daquele jeito.

Quando você tem um relacionamento sexual com alguém, você reduziu essa pessoa a uma coisa. E reduzindo-a você reduziu a si mesmo também a uma coisa, porque é um compromisso mútuo que “Eu lhe permito me reduzir a uma coisa, você me permite lhe reduzir a uma coisa. Eu lhe permito usar-me, você me permite usá-lo. Usamos um ao outro. Nos tornamos coisas”.

Eis porque… observe dois amantes: quando eles ainda não estão consolidados. O romance ainda está vivo, a lua de mel ainda não acabou e você vai ver duas pessoas pulsando com vida, prontas para explodir – prontas para explodir no desconhecido. E então observe um casal, o marido e a esposa, e você verá duas coisas mortas, dois túmulos, lado a lado – ajudando um ao outro permanecer morto, forçando um ao outro permanecer morto. Esse é o constante conflito do casamento. Ninguém quer ser reduzido a uma coisa!

Sexo é a forma mais baixa dessa energia “X”. Se você for religioso, chame isso de “Deus”, se você for científico, chame-o de “X”. Essa energia, X, pode tornar-se amor. Quando ela se torna amor, então você começa a respeitar a outra pessoa. Sim, às vezes você usa a outra pessoa, mas você se sente grato por isso. Você nunca diz obrigado para uma coisa. Quando você está apaixonado por uma mulher e faz amor com ela, você diz obrigado.

Quando você faz amor com sua esposa, você já disse alguma vez obrigado? Não, você tem isso como certo. Alguma vez sua esposa já lhe disse obrigado? Talvez, muitos anos atrás, você pode se lembrar algum tempo quando você estava indeciso, estava só tentando, cortejando, seduzindo um ao outro – talvez. Mas uma vez consolidado, ela alguma vez já lhe disse obrigado por alguma coisa? Você já fez tantas coisas por ela, ela já fez tantas coisas por você, ambos estão vivendo um para o outro, a gratidão porém, desapareceu.

No amor, existe gratidão, existe uma profunda gratidão. Você sabe que o outro não é uma coisa. Você sabe que o outro possui uma grandeza, uma personalidade, uma alma, uma individualidade. No amor você concede liberdade total ao outro. É claro, você dá e recebe: é um relacionamento de dar e receber... mas com respeito.

No sexo, é um relacionamento de dar e receber sem nenhum respeito. Na compaixão, você simplesmente dá. Não há nenhuma idéia na sua cabeça em receber alguma coisa de volta; você simplesmente compartilha. Não que coisa alguma venha! Isso retorna um milhão de vezes, mas isso é só dessa maneira, só uma consequência natural. Não há nenhum anseio por isso.

No amor, se você der alguma coisa, bem lá no fundo você continua esperando que isso deve retornar. Se isso não retornar, você fica reclamando. Você pode não dizer isso, mas de mil e uma maneiras pode se deduzir que você está resmungando, que você está sentindo que foi enganado. Amor parece ser uma barganha sutil.

Na compaixão você simplesmente dá. No amor, você fica agradecido porque o outro lhe deu algo. Na compaixão, você fica agradecido porque o outro levou algo de você; você está agradecido porque o outro não lhe rejeitou. Você veio com energia para dar, você tinha vindo com muitas flores para partilhar, e o outro lhe permitiu, o outro foi receptivo. Você é grato porque o outro foi receptivo.

Compaixão é a forma mais elevada do amor. Muito retorna – um milhão de vezes mais, digo – mas isso não é o mais importante, você não anseia por isso. Se isso não vier não há nenhuma queixa quanto a isso. Se vier você fica simplesmente surpreso! Se isso vier, é inacreditável. Se não vier não há problemas – você nunca deu seu coração a alguém por alguma barganha. Você simplesmente derrama porque você tem.

Você tem tanto que se você não derramar você ficará sobrecarregado. Assim como uma nuvem carregada de água de chuva precisa derramar. E da próxima vez quando uma nuvem estiver chovendo observe em silêncio, e você irá sempre ouvir, quando a nuvem derramou a chuva e a terra a absorveu, você irá sempre ouvir a nuvem dizer para a terra “Obrigado”. A terra ajudou a descarregar a nuvem.

Quando uma flor brota, ela precisa compartilhar sua fragrância com os ventos. É natural! Isso não é uma barganha, não é um negócio; é simplesmente natural! A flor está repleta de fragrância – que fazer? Se a flor mantiver a fragrância para si mesma então a flor se sentirá muito tensa, numa profunda angústia.

A maior angústia na vida é quando você não pode expressar, quando você não pode comunicar, quando você não pode compartilhar. O homem mais pobre é aquele que não tem nada para partilhar, ou tem alguma coisa para partilhar, mas perdeu a capacidade, a arte, de como compartilhá-la; assim um homem é pobre.

O homem sexual é muito pobre. O homem amoroso é comparativamente mais rico. O homem compassivo é o mais rico; ele está no topo do mundo. Ele não tem nenhum confinamento, nenhuma limitação. Ele simplesmente dá e prossegue em seu caminho. Ele nem mesmo espera que você diga um obrigado. Com tremendo amor ele compartilha sua energia. Isso é que chamo de terapêutico.

Buda costumava dizer aos seus discípulos, “Após cada meditação, sejam compassivos – imediatamente – porque quando você medita, o amor cresce, o coração fica repleto. Após cada meditação, sinta compaixão pelo mundo inteiro para que você compartilhe seu amor e você libera a energia na atmosfera e essa energia pode ser usada pelos outros”.

Eu também gostaria de dizer isso a vocês: Após cada meditação, quando vocês estiverem celebrando, tenham compaixão. Apenas sinta que sua energia deve ir e ajudar as pessoas de qualquer maneira que elas necessitem. Apenas libere-a! Você ficará descarregado, você irá se sentir bem relaxado, irá se sentir muito calmo e quieto, e as vibrações que você liberou ajudarão a muitos. Termine suas meditações sempre com compaixão.

E a compaixão é incondicional. Você não pode ter compaixão só por aqueles que são amigáveis com você, só por aqueles que estão relacionados a você. Compaixão inclui tudo... intrinsecamente tudo. Assim se você não pode sentir compaixão pelo seu vizinho, então esqueça tudo sobre meditação, porque isso não tem nada a ver com alguém em particular. Tem algo a ver com seu estado interior.

Seja a compaixão! Incondicionalmente, não direcionada, não endereçada. Assim você se torna uma força curativa nesse mundo miserável.

20 de abr. de 2011

A ACEITAÇÃO




As contingências da vida não são teus adversários, mas teus aliados. Aprende a recebê-las, mesmo quando te transtornam. A aceitação é a forma mais elevada de Amor. É o «sim» definitivo à experiência sagrada da vida.
Quando tu andas, abandona-te à estrada, com o espírito calmo, sem tensão nem agitação. A marcha é regeneradora. Utiliza-a como uma meditação.
O corpo físico é uma prenda suprema que deves proteger e respeitar. É chamado «corpo precioso» nos ensinamentos do Vajrayana. Toma consciência do milagre da tua existência.
Pergunta-te a ti próprio: «Como posso ajudar os outros?». Reencontra o dom da atenção e da afeição, então os outros crescerão contigo, e conhecerás a alegria e a plenitude do coração.
Abandona-te ao amor, mesmo se não lhe conheceres a finalidade misteriosa. Libertar-te-á do teu medo e cobrirá de sol todos os teus atos.
Aquele que encontrou o seu lugar é semelhante à árvore. Ganha raiz e não se desloca mais.
Afirma positivamente o mundo nos teus atos e nos teus pensamentos. Considera toda a criação com respeito e encantamento.
Felicidade do nômade: aquele que caminha enraíza-se a cada passo que dá. Tem o seu lugar onde quer que se encontre. Renova o amor deslocando-se.
Aceita o mundo tal como é realmente e não como ele se apresenta.
A aceitação de si e a aceitação dos outros são as duas faces de uma mesma moeda. A mesma riqueza.
Aprende a relaxar a tensão dos nervos, a controlar a respiração e o bater do coração, a ver flutuar as sensações sem procurar retê-las. Treina-te ao abandono do corpo e do espírito, se quiseres ganhar o mundo. Só se recebe o que se aceita perder.
Abandonar não quer dizer esquecer, mas tornar presente, sem amarras nem laços. É um ato de libertação. Afrouxam-se os laços, e o mundo que nos rodeia deixa de estar deformado pelas nossas obsessões, os nossos fantasmas. Torna-se de novo livre.
Não deves suportar a tua vida, mas levá-la. Só o amor é capaz de um tal prodígio.
O relaxamento é uma das primeiras formas de abandono. O corpo deixa de lutar contra a atração terrestre. Abandona-te à gravitação, como o fazem todos os astros e todos os corpos celestes.
Relaxar não quer dizer tomar repouso, isolar-te do tumulto ou do barulho, mas acolher o mundo, preparar-se para o receber.
O desapego não é a supressão, a sepultura. Pede uma presença constante no mundo, uma proximidade cada vez maior dos outros, sem intenção, gratuitamente.
Em certas circunstâncias, a vida entrega-se a nós por surpresa, para nos maravilhar. Surge por vezes onde menos se espera; em casa do estrangeiro, ou em casa do teu inimigo. É preciso largar carga, para subir mais alto.
A aceitação oferece um risco muito maior do que o simples fato de amar. Aquele que se abandona não se contenta apenas com amar. Dá-se a si próprio a audácia de o fazer. Empenha-se numa grande aventura.
Aquele que abandona não renuncia. Aceita. O abandono não é um reflexo egoísta, mas um dom de amor. Permite reencontrar os outros, autenticamente, atrás das máscaras, do artifício e da ilusão.
Abandonar-se significa tornar-se livre.
Aprende a renunciar ao que embaraça e faz obstáculo, para melhor acolher o outro. Retira tudo o que se opõe, protege, encerra - tudo o que pode ferir e incomodar o encontro com o outro.
Não nos abandonamos para nos entrincheirar contra o mundo, mas para acolher a alegria, no meio do mundo. Perdendo o inútil, reencontras o essencial.
Abandonar-se ao mundo exige uma vigilância acirrada, um olhar de águia por cima do abismo. Aquele que se mantém constantemente em vigília deixa de cair.



por



DUGPA RINPOCHE 

14 de abr. de 2011

Sutras urbanos


Niyamas: Não seja um problema para si mesmo
Yamas: Não seja um problema para os outros
Asteya: Não desejar aquilo que não fiz por merecer
Asana: Atitude
Ahimsa: Nossas explicações não devem ferir as pessoas que já estão em sofrimento (ex. - Vi um acidente de carro. Explicação: É karma)

9 de mar. de 2011

Abraçando a Raiva

Plena consciência é a capacidade de saber o que está acontecendo em cada momento, e plena consciência da raiva é ser capaz de reconhecer quando a raiva se manifestou. Se deixarmos nossa raiva sozinha, causará estrago para nosso corpo, para nossa mente e talvez para o nosso entorno. Podemos praticar a plena consciência da raiva dizendo para nós mesmos: “Inspirando, sei que a raiva está em mim. Expirando, eu sorrio para minha raiva, eu abraço minha raiva.”
A plena consciência reconhece que a raiva é raiva. Reconhecer e abraçar a raiva é uma arte, é a prática. Usualmente, lutamos contra a raiva que surge em nós. Mas na prática budista, não lutamos contra nossa raiva, nós a abraçamos tenramente.
Imagine uma mãe que está trabalhando na cozinha e ouve seu bebê chorar. Ela o ama, portanto solta o que quer que esteja na sua mão e vai ao quarto dele. Antes mesmo de saber o que está errado, ela pega o bebê e o segura tenramente em seus braços. Apenas segurá-lo carinhosamente pode ser suficiente para trazer alivio à criança e diminuir seu choro. Se a mãe continuar a segurá-lo com plena consciência, ela descobrirá o que está errado. Ele pode estar com fome, pode estar com febre, ou sua fralda pode estar apertada demais. Através da prática da plena consciência podemos abraçar nossa raiva e pacientemente descobrir porque ela surgiu.
Se a mãe descobre que seu filho está com fome, ela lhe dá leite; se a fralda está muito apertada, ela afrouxa. Portanto ao abraçar nossa raiva com carinho, podemos aliviá-la através da respiração consciente e da caminhada consciente.
Quando a energia da raiva começa a emergir, precisamos da prática da plena consciência. Podemos pensar que para liberar nossa raiva temos que fazer algo imediatamente para confrontar a pessoa que pensamos que está nos fazendo sofrer. Ao invés disso, podemos respirar e dizer: “Inspirando, sei que a raiva se manifestou em mim. Expirando, tomarei muito cuidado com a energia da raiva em mim.”
Podemos pensar que dizer ou fazer algo muito forte para punir a outra pessoa é o caminho para encontrar alívio. Mas isto apenas irá escalar o sofrimento. A outra pessoa sofrerá mais, e ela irá buscar alívio nos punindo de volta.
Se alguém nos faz sofrer, é porque esta pessoa também está sofrendo. Alguém que não sabe lidar com seu sofrimento permitirá que ele vaze, e nos tornaremos vítimas do seu sofrimento. Sabemos que alguém que sofre tanto assim precisa de ajuda e não punição. Quando começamos a ver isso, a compaixão nasce, e não sofremos mais. Compaixão é o antídoto para a raiva. Uma vez que estamos motivados pelo desejo de ajudar a outra pessoa a sofrer menos, estamos livres de nossa raiva.
Às vezes é importante comunicar nosso sofrimento para a outra pessoa. Podemos fazer isso usando a prática do “Começar de Novo”. Sentamos juntos em um momento onde possamos estar plenamente presentes. Há três estágios: no primeiro nós “regamos as flores” da outra pessoa, sinceramente expressando nossa apreciação pelas suas boas qualidades. No segundo expressamos lamento por qualquer coisa que vemos que possamos ter feito para contribuir para o conflito. No terceiro, expressamos nosso sofrimento sem culpa ou julgamento.
Quando expressamos nosso ferimento, há três frases importantes que os ensinamentos budistas sugerem. Estas frases são o antídoto para o sofrimento. A primeira é, “Querido, eu estou com raiva. Eu estou sofrendo e quero que você saiba.”. A segunda é “Querido, eu estou fazendo o melhor que posso”. A terceira é “Por favor, ajude-me”.
Quando dizemos a primeira frase - “Querido, eu estou com raiva. Eu estou sofrendo e quero que você saiba disso.” - estamos sendo abertos e dividindo o que está acontecendo conosco. É importante que não neguemos nossa própria raiva e sofrimento. Às vezes sofremos por causa da outra pessoa, e quando ela vem e pergunta, “Querido, você está bem, está com raiva de mim?” dizemos “Eu estou bem, porque estaria com raiva?”. Ou quando a outra pessoa põe a mão no nosso ombro, tentamos evitar seu toque e dizemos, ”deixe-me só, não me toque!”. Estas são formas de punir alguém, queremos dizer a esta pessoa que podemos sobreviver muito bem sozinhos.
Portanto, ao invés disso, é muito importante ser direto. Podemos também querer adicionar, “Eu não sei por que você disse tal coisa para mim, por que fez tal coisa para mim. Por favor, explique.” A coisa importante é dizer para a outra pessoa que estamos com raiva e que estamos sofrendo. Se pudermos escrever esta sentença, já sofreremos menos. É um milagre.
A segunda frase é ainda menor, “Eu estou fazendo o melhor que posso”. Isto significa que estamos praticando a respiração consciente e a caminhada consciente e tomando conta de nossa raiva. Portanto a segunda sentença é um convite indireto para a outra pessoa fazer o mesmo, voltar para reexaminar a situação, e ver o que ela possa ter feito que tenha contribuído para o conflito.
Às vezes não queremos fazer o outro sofrer. Apenas somos inábeis. Temos que aprender a falar em termos de mais ou menos hábeis ao invés de termos como bom ou mau, certo ou errado. Na tradição budista falamos de estados inábeis da mente, como a raiva ou medo.
A última sentença é “Por favor, ajude-me”.  Quando somos capazes de escrever a terceira frase, nosso sofrimento se dissipa. Mesmo se a outra pessoa ainda não leu a mensagem, já nos sentimos muito melhor. Reconhecemos nossa interdependência, não somos capturados pelo orgulho. No verdadeiro amor não há lugar para orgulho. Sabemos que precisamos da outra pessoa para nos ajudar a sair da nossa situação.
Tenho muitos amigos que pegam um pedaço de papel do tamanho de um cartão de crédito, escrevem essas três frases e guardam na carteira. Cada vez que a raiva vem, eles pegam o “cartão”, lêem enquanto inspiram e expiram, e então eles sabem exatamente o que fazer.
Quando o nosso amado nos fere, ficamos com raiva e sofremos. Estamos na margem do sofrimento. Como somos bodisatvas, queremos atravessar para a margem da paz. Não dizemos, “Outra margem, por favor, venha de forma que eu possa pisar em você.” Não, temos que atravessar! E entendimento, prajñaparamita, é uma das maneiras de atravessar. Quando entendemos a outra pessoa, vemos seu sofrimento e também que ela não sabe lidar com este sofrimento. Ela sofre, portanto faz a si mesmo e aos que estão a sua volta sofrerem. Quando somos capazes de olhar com olhos de entendimento como estes, de repente estamos na outra margem. Este entendimento traz a outra margem imediatamente.
O Buda disse que há muitas maneiras de lidar com sua raiva, e uma maneira é praticar a paramita chamada dana, que significa doação. Você dá um presente para a pessoa que você está sentindo raiva. Usualmente quando estamos com raiva de alguém, queremos puni-la. Mas o Buda nos aconselha a fazer o oposto. Faça algo que a faça feliz. Ofereça algo para ela, e de repente sua raiva desaparecerá e você se encontrará na outra margem. Você pode querer tentar isto. Você sabe de que seu amada gosta, portanto compre um lindo presente e esconda em algum lugar. E um dia quando ficar com raiva dela, lembre-se do conselho do Buda e ofereça o presente para ela. Então ambos estarão na outra margem imediatamente.
A outra pessoa precisa de amor, e se pudermos prover isso para ela, através do entendimento, nossa raiva se dissolverá. O tempo que leva para atravessar para a outra margem pode ser muito curto. É um milagre! Como um bodisatva, queremos apenas dar. E estamos dispostos a dar qualquer coisa que pudermos.
As coisas mais valiosas para dar são entendimento e compaixão. Todos no mundo anseiam por entendimento, compaixão e amor. Como um bodisatva, como um praticante, podemos produzir entendimento e compaixão. Quando olharmos profundamente para a situação, não culparemos mais, sentiremos compaixão.

(Do livro “Together we are one”– Thich Nhat Hanh)

(Traduzido por Leonardo Dobbin)